A implementação do Plano de Articulação e Equipamento da Marinha do Brasil (Paemb) vem sendo dificultada pelos baixos orçamentos e pela baixa prioridade atribuída à Defesa no país. A Marinha teria estabelecido como meta prioritária a obtenção de um mínimo de 61 navios de superfície e cinco submarinos. Tais unidades devem constar do Plano de Articulação e Equipamento da Defesa (Paed), em fase inicial de elaboração.
Os planos de longo prazo da Marinha incluem a duplicação do principal componente operativo do Poder Naval brasileiro, por meio da criação de uma segunda esquadra e um segundo núcleo anfíbio, sediados no litoral Norte/Nordeste do país. Ainda que tal perspectiva não se concretize, é urgente a necessidade de renovação e ampliação dos meios navais, aeronavais e de fuzileiros navais, bem como de aumento do efetivo de pessoal da Marinha do Brasil.
O Prosuper só perde em prioridade para o Programa de Desenvolvimento de Submarino com Propulsão Nuclear (Prosub), o principal programa de reequipamento da Marinha. Este prevê a construção, com assistência técnica francesa, até meados da próxima década, de quatro submarinos com propulsão convencional (S-BR) e um com propulsão nuclear (SN-BR), além de uma base e um estaleiro em Itaguaí, RJ.
As 11 unidades previstas no Prosuper devem ser entregues até meados da próxima década, assim como diversas unidades menores, com características de emprego costeiro e fluvial. A Aviação Naval está recebendo novas aeronaves e modernizando as existentes. O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN), por sua vez, deve ampliar seu efetivo e modernizar ou adquirir diversos tipos de equipamentos.
A inclusão do Prosuper no orçamento da Marinha em 2012 garantiria a recomposição, nos próximos anos, do efetivo de navios de superfície. À taxa de câmbio de 30 de junho de 2009, o valor total deste programa foi estimado em R$ 7,6 bilhões (2,8 bilhões de euros). Como comparação, o valor total estimado do Prosub, à mesma taxa de câmbio, seria de R$ 18,3 bilhões (6,7 bilhões de euros).
As seis fragatas classe Niterói, cuja modernização foi concluída em 2005, têm sua baixa prevista para o período 2021-26. As três fragatas classe Greenhalgh, cuja revitalização deve ser concluída até 2013, devem deixar o serviço entre 2020 e 2022. As quatro corvetas classe Inhaúma devem ter sua modernização concluída até 2014, estando sua baixa prevista para 2030-34. A baixa da corveta Barroso (se esta não receber modernização) está prevista para 2035.
A entrega de cinco novas fragatas entre 2017 e 2022 possibilitará a substituição, nos prazos previstos, das três unidades remanescentes da classe Greenhalgh e das duas primeiras da classe Niterói. Para substituir as demais unidades desta classe, depois de 2022, assim como as cinco corvetas, entre 2030 e 2035, haverá necessidade de construir outras nove, perfazendo um total de 14 unidades de escolta.
Para completar o efetivo previsto de 18 navios de escolta, da esquadra sediada no Rio de Janeiro, será preciso construir mais quatro novas unidades. Outras 12 seriam necessárias, a fim de viabilizar uma segunda esquadra para operar em águas do Norte/Nordeste (acima da cintura Natal-Dakar). Com isso, chegaríamos ao total previsto no Paemb, de 30 unidades de escolta a serem obtidas até 2034 (ou pouco depois disso).
Nos próximos anos, a Marinha prosseguirá na renovação de seu material. Devem ser iniciados estudos para obtenção de unidades de maior porte, como navios-aeródromo (NAe) e navios de propósitos múltiplos (NPM). Além disso, a capacidade de comando e controle deve ser incrementada, pela ampliação do Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SisGAAz), com sensores fixos e móveis, e pela modernização das comunicações via satélite.
A fim de possibilitar a renovação e ampliação do Poder Naval brasileiro, será preciso garantir, por cerca de duas décadas, o fluxo dos recursos financeiros necessários, o que talvez só seja possível quando o Orçamento da União se tornar impositivo. Dono da sexta economia mundial, o Brasil necessita de uma Marinha polivalente com capacidade oceânica, apta a desempenhar todas as tarefas que lhe forem atribuídas, na Amazônia Azul ou fora dela.
Eduardo Italo Pesce
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